10 de Fevereiro de 2008

O Cine Groove é um espaço muito bacana. Desenvolvi para exteriorizar meu gosto por filmes de terror e afins, algo que já fazia antes no meu outro blog, o Cine Art, embora com outros filmes de gêneros não subversivos. Mas resolvi separar as coisas achando que daria mais atenção a este cinema específico. Mas é mais complicado do que esperava.

Como o Cine Art sempre foi o primeiro filho e é difícil administrar dois blogs com o tempo corrido do dia dia, por mais imbecial que isso possa parecer, não consegui dar atenção devida ao Groove.

Esta é uma mensagem de despedida? deste espaço, provavelmente sim, mas não de mim nem das minhas impressões sobre o cinema físico! Vou continuar assistindo filmes de terror, fantástico, e toda bagaceira que tiver pela frente e vou cotinuar escrevendo sobre esses filmes no Cine Art.

Portanto, convido a todos os poucos leitores que tive por aqui para migrarem junto comigo no Cine Art, porque bagaceira também é arte, porra!


Ps: Rogério, a resenha do Cannibal Holocausto ainda sai! Não se preocupe!

Adiós!

16 de Janeiro de 2008

We are Back!

Depois de um tempinho sem saber o que fazer com a criança aqui, resolvi reabrir o Cine Groove, mesmo continuando sem saber o que fazer. Mas vai o mesmo de sempre... por exemplo, hoje é o aniversário do grande John Carpenter. O post vai em sua homenagem com um Top 5!



1. The Thing, aka O Enigma do Outro Mundo: O Carpinteiro impressiona com sua visão extremamente perturbadora, violenta e repugnante do clássico O Monstro do Ártico, de Howard Hawks. Não somente seu melhor filme, como também um dos maiores filmes dos anos 80.

2. Fuga de Nova York: Kurt Russel desempenha um dos maiores personagens de sua carreira, Snake Plinskens, um sujeito designado a força a entrar na maior e mais perigosa prisão já criada: a ilha de Manhattan, e resgatar o presidente dos Estados Unidos. Carpenter cria um futuro dark e sequencias de ação de forte impacto.

3. Os Aventureiros do Bairro Proibido: Uma odisséia pelo submundo de um bairro Chines em São Francisco onde Jack Burton, mais uma vez vivido por Kurt Russel, um caminhoneiro com pinta de durão, entra em várias situações envolvendo artes marciais, magia, samurais com poderes estranhos e um poderoso mago de 200 anos de idade.

4. Eles Vivem: Uma das mais criativas críticas ao capitalismo consumista, quando um homem comum descobre um óculos escuro que o revela a verdade por trás das classes dominadoras. A solução é botar as armas em punhos numa das ações mais niilistas do cinema!

5. Halloween: John Carpenter simplesmente realiza um marco do terror americano e apresenta um banho de sangue com um dos personagens mais assustadores do cinema: Mike Myers. Um filme de antecipação que influenciou os slash movies da geração 80.

14 de Dezembro de 2007

Macumba Sexual (1983), de Jess Franco

Após vários anos no exílio, Jess Franco retornou a Espanha e encontrou liberdade total para realizar seu filme seguinte: Macumba Sexual, que marcou extremamente seu retorno no início dos anos oitenta. O filme é estrelado pela esposa e musa do diretor, a exuberante Linna Romay, interpretando a namorada de um bigodudo, Antonio Mayans, numa viagem de férias pelas Ilhas Canárias. Franco explora muito bem as belezas naturais do local, suas prais, paisagens bucólicas e o deserto. E é em toda essa ambientação que Romay começa a ter sonhos alucinantes e delírios lisérgicos quando é possuída por uma Rainha Negra, encarnada pela transexual Ajita Wilson.

A experiência de assistir Macumba Sexual é das mais interessantes pra quem já curte o trabalho do diretor. A trama não importa tanto, mas a elaboração visual das imagens oníricas e o surrealismo dos delírios e sonhos da protagonista é deslumbrante, além do acompanhamento musical totalmente insólito. E como de praxe, todas as situações que Linna Romay se encontra, tornam-se motivos pra tirar a roupa e aparecer nua em pelo. Franco adora homenagear sua atriz/esposa explorando cada detalhe de seu corpo nu, as vezes a sensação é que ele quer entrar dentro dela com a câmera. Mas o grande destaque entre os protagonistas fica a cargo de Ajita Wilson, a transex negra de beleza exótica, com uma atuação bastante expressionista.

12 de Dezembro de 2007

Immagini di un convento (1979), de Joe D'Amato

Joe D’Amato é um cara legal. Quem já viu ou ouviu falar de seus filmes, sabem muito bem porque (lógico, funciona se você for fã de cinema extremo, se não, nem se arrisque, vá assistir Eu Sei o que vocês Fizeram no Verão Passado, ou merdas desse tipo...). Seus filmes sempre são recheados do que há de mais pervertido, sádico e violento que o cinema ousou mostrar.

Immagini di um Convento não fica atrás, além de ter todos os elementos perturbadores do cinema de D’Amato, ainda possui um roteiro interessante e uma fotografia trabalhada, obviamente dentro dos padrões financeiros da produção, já que seria difícil arranjar alguma grande produtora para financiar um filme que profana os conceitos da igreja católica, mostrando freiras sedentas de sexo, muita sacanagem e uma cena de estupro com sexo explícito.

Como de costume em um nunsploitation, a trama se passa num convento. A paz e a serenidade são quebradas com a chegada de um rapaz, que é uma espécie de encarnação do mal, e basta sua presença para que comece a safadeza e as freiras “coloquem as aranhas pra brigar” (se é que me entendem...) até chegar num ponto alucinante de erotismo explícito com várias cenas interessantes como a do padre que vai caminhando pelo corredor enquanto todas as freiras tentam seduzi-lo, mostrando as “piriquitas” e se masturbando. Uma estátua do demo torna-se um dos personagens principais sempre simbolizando a presença do mal e influenciando as perversões das freiras.

Tudo isso e mais um pouco, tornam Immagini di um Convento um dos nunsploitation mais subversivos e um dos melhores trabalhos da filmografia do diretor italiano que não se preocupa em criar o choque visual, nem que seja pela violência extrema como Buio Omega, Antropophagus e Emanuelle na América, ou pelo erotismo e sexo explícito como Pornô Holocausto, Emanuelle na América, etc.

10 de Dezembro de 2007

La Maschera del Demonio, aka Black Sunday, aka A Máscara do Demonio (1960), de Mario Bava

O italiano Mario Bava talvez seja o maior precursor do horror italiano. Diretor de fotografia antes de se tornar cineasta, seus filmes são carregados de atmosferas sombrias e imagens escuras, principalmente quando trabalha com o preto e branco como é o caso de A Máscara do Demônio cuja definição atmosférica, a morbidez e a estética gótica se encaixam perfeitamente com o tema de bruxaria que o filme propõe. Até mesmo a história deixa de ser importante quando todo conjunto de elementos mórbidos, a ação dentro dos planos e toda a estética do horror que formam seqüências impressionantes e antológicas (como a do prólogo) são atrativos que potencializam o tom de pesadelo, sem contar a presença da bela musa do horror, Bárbara Steele, sempre expressiva em cena fazendo duas personagens que são contrapontos entre si.

Bava pode ser considerado a influencia máxima dos futuros mestres do horror italiano como Lucio Fulci, Umberto Lenzi, Ruggero Deodato e, principalmente Dario Argento. Aliás, a cena onde o mordomo é pego desprevenido por uma mão segurando uma corda que surge do nada é muito parecido com o que Argento viria a fazer no futuro.

16 de Novembro de 2007

Dark Star (1974), de John Carpenter: Em seu primeiro longa, John Carpenter nos brinda com uma divertida e até mesmo poética (?) sátira de ficção científica. Levando em consideração que Carpenter ainda era um estudante de cinema e não tinha recursos para uma superprodução, Dark Star é no mínimo obrigatório para os fãs do diretor de Halloween, Fuga de Nova York e muitos outros filmes que de Horror, Ficção e Ação que constituem de uma característica própria do diretor. E tudo começou nesta pequena obra. Aliás, muitos detalhes de direção, misé en scene, que Carperter utilizaria em filmes posteriores podem ser conferidos em Dark Star como forma de experimentação. Um grupo de astronautas barbudos, tripulante da nave Dark Star, vaga pelo espaço destruindo planetas instáveis para a colonização espacial. Além de situações clichês de filmes de ficção (porém muito bem elaboradas), o filme mistura outras situações que, até então, não era muito observada em filmes de ficção como o cotidiano dos personagens. Os efeitos especiais toscos (que dão um charme e geram boas risadas), as idéias, a forma, os sons, as situações criadas dão ao filme um ar cult. Até mesmo um ser alienígena feito de uma bola de plástico consegue criar uma tensão sem deixar de ser bizarro e engraçado. Sem esquecer também da trilha sonora do próprio Carpenter, principalmente para dar o tom de suspense. O final pessimista é, ao mesmo tempo, libertador (a parte poética). Não teria o mesmo resultado se fosse feito hoje em dia com efeitos especiais de ponta.

Kaidan (1964), de Masaki Kobayashi: Um marco do cinema de horror oriental. A influencia é visível em vários filmes de hoje como O Chamado e O grito. Kaidan é baseado em quatro histórias de fantasmas escrito por Lafcadio Hearn. Além dos próprios contos em si (alguns realmente assustadores), é surpreendente o trabalho estético como locações estilizadas e cores fortes que saltam aos olhos. A direção é outro atrativo, principalmente no primeiro episódio. Masaki Kobayashi (Harakiri) exercita enquadramentos diferenciados e realiza uma movimentação de câmera bastante avançada para sua época. Um verdadeiro terror de vanguarda.

Sweet Seewtback’s Baadasssss Song (1971), de Melvim Van Peebles: Perfeito exemplar de cinema Grindhouse, Sweet Seewtback’s Baadasssss Song é um blaxplotation dirigido pelo grande diretor deste subgênero, Melvim Van Peebles, que é pai do ator Mario Van Peebles, que faz uma pequena participação aqui no papel do protagonista quando criança uando tinha apenas 14 anos numa impressionante cena em que tem reações sexuais com uma prostituta, aliás, uma das características do gênero é explorar o sexo e a violência para dar o ar subversivo que marcou a geração é isso é o que Sweet Seewtback’s Baadasssss Song tem de sobra. Sweetback, interpretado pelo próprio Melvim, é o rei pirocudo da mulherada e o calo da polícia que o persegue durante o filme inteiro até nos confins do interior americano numa jornada frenética de seqüências de imagens experimentais que só acabam com o desfecho alucinante do filme. O diretor experimenta de tudo em termos de direção, mas principalmente em edição onde procura adicionar todos os artifícios possíveis de uma ilha para dar ritmo sempre acompanhado de uma psicodélica black music do inicio dos anos setenta.

Martin (1977), de George Romero: Filme seco e bem objetivo. Sem enrolar, Romero conta a história de Martin, um jovem que vai morar na casa de um tio. Este acredita de pés juntos que Martin é um perigoso Vampiro com mais de cem anos. Coloca Alho nas portas, chama um padre para exorcizar o pobre rapaz e no final parte pra ignorância. Apesar da superficialidade do roteiro, Martin tem seus momentos virtuosos e criativos e se estrutura no clima de suspense que o diretor cria. Nota-se uma economia de recursos, mesmo assim, Romero não nos poupa de uma boa dose de violência e muito sangue. O filme merecia maior destaque entre os filmes do diretor.

She Killed in ecstasy (1971), de Jess Franco: O ponto de partida aqui – e que impulsiona toda a projeção – é a vingança. Após a rejeição de seu experimento por quatro cientistas, o desespero e o suicídio deram cabo do Dr. Johnson. Sua esposa, que passou todo o sofrimento ao seu lado, toma a decisão de matar todos que foram responsáveis pela morte de seu conjugue. She Killed in Ecstasy acompanha os passos da viúva em busca de vingança interpretada pela bela Soledad Miranda, uma das musas de Jess Franco. Ela é a vingança, o ecstasy natural que motiva a cometer tais crimes. É ótima atriz também. Sempre expressiva e nua a maior parte do tempo, o que é normal nos filmes do diretor que, apesar do excesso de zoom, colhe alguns enquadramentos interessantes como na lésbica cena em que a protagonista coloca o copo na frente da câmera. Os cenários vintage do início dos anos setenta são bem explorados, assim como o jazz que auxilia no ritmo, dando um aspecto puramente plástico-sonoro à obra de Franco, um dos cineastas malditos, mestre de estilo único e desconhecido completamente da nova geração de cinéfilos.

12 de Novembro de 2007

filmes, filmes e mais filmes....

Cani Arrabbiati, aka Rabid Dogs (1974), de Mario Bava: Ao nos deparar com uma obra como Rabid Dogs é que percebemos quem são os grandes gênios do cinema, e neste caso, estamos falando do grande Mario Bava em um experimentalismo que ainda não havia provado em sua filmografia: ação policial, mas com elementos perturbadores do terror psicológico. Uma combinação que resulta numa experiência única na história do cinema. O filme já começa a mil por hora quando um bando comete um roubo de dinheiro causando várias mortes durante a ação e na fuga; seqüestram uma mulher num estacionamento e um homem que estava dirigindo um carro que transportava uma criança doente dormindo tranqüila. Com os reféns e os assaltantes dentro do carro, Rabid Dogs transforma-se em um road movie de situações extremas. Grande parte do filme se passa dentro do carro onde Bava trabalha o horror psicológico nos diálogos e situações que dão profundidade aos personagens. Destaque para o gigantesco George Eastman (também conhecido como Luigi Montefiori, um dos atores preferidos de Joe D’Amato, realizando obras como Antropophagus), cuja interpretação de um inconseqüente bandido é das mais aterrorizantes. Além dele há o psicopata frio e calculista que mata usando uma faca, interpretado por Don Backy e o Doutor, Maurice Poli (que também já trabalhou com D’Amato e Lucio Fulci), que é o chefe do bando. Canni Arrabiati consegue segurar a atmosfera de tensão até o limite, quando no final nos revela uma das mais surpreendentes e chocantes revelações. Digna de um mestre do horror.



A Noite dos Mortos Vivos (1968), de George Romero: É um marco no cinema de horror. A visionária visão de George Romero se tornou padrão para os filmes de Zumbis em suas seqüências e outros filmes cuja inspiração nasceu deste aqui. É um filme feito com as tripas. O diretor criou um verdadeiro clássico cultuado no mundo inteiro com uma história simples, sem recursos financeiros e técnicos e um elenco totalmente desconhecido. O filme se apóia na força de suas imagens que cria um sentimento de tensão e angustia quando um grupo de pessoas fica encurralado numa casa cercada por zumbis famintos de carne humana. E o que não falta é momentos de violência explícita e visual, ainda em fase de exercício de direção por parte de Romero, o que se tornaria mais seguro já no segundo filme da saga dos mortos, Dawn of the Dead, mesmo assim, vísceras, tripas e membros são bem servidos aos zumbis ao longo de A Noite dos Mortos Vivos. Deve ter causado um bocado de arrepios no publico da época. Hoje em dia é diversão garantida.



Madrugada dos Mortos, aka Despertar dos Mortos (1978), de George Romero: É a continuação de A Noite dos Mortos Vivos. Em Madrugada dos Mortos, o caos já está se espalhando pelos Estados Unidos numa velocidade incrível, apesar de ainda haver muitos humanos buscando sobreviver, como é o caso dos protagonistas que encontram num Shopping uma forma de seguir adiante com a vida. Mas como um Zombie Movie não vive só de harmonia, algo dá errado e, para o deleite do espectador, um show de horrores sangrento é apresentado. Os efeitos especiais desenvolvidos por Tom Savini, são um dos principais fatores que diferem do filme de 68, além do próprio Romero, muito mais maduro e visceral na direção. A versão do diretor, que este cinéfilo que vos escreve assistiu, é bastante longa, mas possui uma visão assustadora sobre o ser humano em condições extremas.


Dia dos Mortos (1985), de George Romero: O legal da saga dos Mortos, de George Romero, é que se pode ver qualquer um dos filmes separadamente e nenhum possui uma ligação direta entre si, a não ser é claro, a evolução quantitativa de zumbis vagando por aí, enquanto a raça humana se torna mais esporádica. Além disso, a verdadeira causa do surgimento dos mortos vivos nunca foi realmente revelada, nem no primeiro da série (a não ser uma suposição de radioatividade, mas nada comprovado). O Dia dos Mortos é o terceiro da quadrilogia e é o mais interessante também. Na história, já é quase impossível encontrar humanos nas cidades e os acontecimentos se passam numa base onde cientistas fazem estudos com zumbis capturados. O filme funciona também como um exercício social, com brigas de classes e hierarquia não explorada tão explicitamente, nos filmes anteriores (em Terra dos Mortos, o quarto filme, é ainda mais explorado). Enquanto homens do exército querem assumir o controle da operação, os cientistas não querem se submeter as suas ordens, e um dos cientistas tenta domesticar um zumbi, e assim por diante. Não faltam cenas de violência explicita, lógico, e nisso O Dia dos Mortos é o que tem de melhor, tanto em quantidade quanto em criatividade.


O Vingador Tóxico (1985), de Lloyd Kaufman: O Vingador Tóxico é um dos exemplos do que há de mais bizarro no cinema trash. Lloyd Kaufman presenteia os fãs do gore uma montanha de situações envolvendo violencia explítica, muito sangue, sexo, mesclado uma senso de humor podre dos mais subversivos. Uma delícia de filme que elevou o status do herói, o Vingador Tóxico do título, a categoria dos personagens mais carismáticos do gênero, mesmo com sua aparência horrorosa e grotesca.

9 de Novembro de 2007

American Gangster (2007), de Ridley Scott

Imaginem um Superfly (personagem clássico da Blaxploitation) sendo caçado por um Sérpico (Al Pacino no filme do Lumet), o resultado é este excelente trabalho do diretor Ridley Scott, que a há muito tempo não apresentava algo nesse nível. Apesar de um pouco longo, possui todos os elementos de um bom filme policial/gangster, uma dose de violência e ótimas atuações de todo elenco como Russel Crowe, Josh Brollin e principalmente Denzel Washington, o que já uma surpresa...

7 de Novembro de 2007

Resident Evil - Extinction, de Russell Mulcahy

O visual apocalíptico estilo Mad Max até que é bacana. Já a cópia descarada de Dia dos Mortos do Romero é forçada e desnecessária. Situações ridículas aos montes, como na cena dos corvos e o início com os cachorros, com uma edição das mais porcas que eu já vi na minha vida. Os diálogos parecem que foram escritos por um guri de 12 anos. Mas tem a Milla. Vale a pena só olhar pra ela...


Mais aqui

4 de Novembro de 2007

3:10 to Yuma, aka Os Indomáveis (2007), de James Mangold

O bom e velho Western clássico americano retorna com estilo neste “Bang-Bang” onde Christian Bale e Russel Crowe interpretam homens do Oeste de lados opostos da lei. Com direção talentosa de James Mangold, cujo trabalho nas cenas de ação eleva o clímax na potencia máxima, principalmente no final, Os Indomáveis é um western exemplar que deveria ser seguido para que o gênero não fique no ostracismo de novo...

3 de Novembro de 2007

Aniversário de Charles Bronson...

Se estivesse vivo, o grande Charles Bronson estaria completando 86 anos...

Filmografia Selecionada:
  • Era uma vez no Oeste (1968), de Sergio Leone
  • The Mechanic (1972), de Michael Winner
  • Desejo de Matar I, II, III, de Michael Winner
  • Death Hunt (1981), de Peter R. Hunt
  • Mr. Majestyk (1974), de Richard Fleischer
  • Machine-Gun Kelly (1958), de Roger Corman
  • Os Doze Condenados (1967), de Robert Aldrich
  • Violent City (1970), de Sergio Sollima
  • Lutador de Rua (1975), de Walter Hill

E muitos e muitos outros dos quais não me veio a cabeça agora...

2 de Novembro de 2007

Mais um pouco de Fuga ne NY...

Os diretores Len Wiseman e Brett Ratner disseram que não vão trabalhar na refilmagem de Fuga de Nova York. O ator Gerard Butler desistiu de interpretar Snake Plinskens. Agora só falta os produtores desistirem de vez da idéia dessa refilmagem!
Operação Yakuza (1974), de Sydney Pollack

O roteirista e diretor Paul Schrader ainda era um estudante de cinema quando conseguiu vender por 300 dólares esse ótimo roteiro sobre a máfia japonesa e toca com profundidade algumas questões de confiança, amizade e obrigações dentro do contexto das tradições japonesas. Robert Mitchum, já com uma certa idade, ainda demonstrava talento para viver personagens de ação interpretando um americano que vai ao Japão ajudar um amigo compatriota com problemas em relação a Yakuza. Mas Mitchum acaba caindo em problemas ainda maiores. A direção ficou por conta de Sydney Pollack, quando ainda tinha talento para este tipo de filme, assim como O Dia do Condor, com Robert Redford, apesar de preferir A Noite dos Desesperados, com a Jane Fonda, que não pertence ao gênero. Em Operação Yakuza, faz um trabalho competente, tem controle sobre as cenas de ação e trabalha muito bem com a violência, mas o que se sobressai é a presença de Robert Mitchum e o roteiro do jovem Paul Schrader.

30 de Outubro de 2007

Violent City, aka Città violenta (1970), de Sergio Sollima

Filme de macho por excelência. Possui todos os ingredientes para um cinema físico de alta qualidade. Roteiro objetivo (contém umas reviravoltas, mas todas dentro de um contexto lógico, nada muito mirabolante), cenas ação em potência máxima e o ator mais macho da sétima arte: Charles Bronson. Além de contar com a presença do eterno Kojac, Telle Savalas. Bronson vive um assassino traído profissionalmente e sentimentalmente, buscando a aposentaria da vida de matança. Mas em Violent City, faz um papel diferente, ao invés do assassino frio e sem piedade, seu personagem é mais humano, apaixonado, que hesita antes de apertar o gatilho, claro que no final das contas, a piedade fica de lado e a bala come pra todo lado. Destaque para a bela e brutal cena do final no elevador, com o uso câmera lenta e enquadramentos dignos de um mestre do cinema de ação: Sergio Sollima, um dos grandes nomes do Western Spaggetti italiano, sem contar com o acompanhamento musical marcante de Ennio Morricone. Ta bom ou quer mais?

27 de Outubro de 2007

Zombie Lake, aka Le Lac des Morts Vivants (1981), de Jean Rollin

Quando se fala em filme de zumbi de baixo orçamento, me vem logo à mente algo no estilo A Noite dos Mortos Vivos, de George Romero ou algo do mesmo nível que, apesar do pouco dinheiro, a criatividade no roteiro, muito sangue e vísceras compensam a falta de estrutura. No caso de Le Lac des Morts Vivant, parece que não há orçamento algum, ou seja, é um filme que não deveria ser feito, foi empurrado, e ainda se leva a sério. Mas é uma gozação tremenda. São os zumbis mais precários que eu já vi, pintados de verde, e quando estão em close, todas as falhas são visíveis. Um horror. O roteiro é fragilíssimo e foi escrito por Jess Franco (que decepção). Tem uma premissa de Zumbis Nazistas que ressurgem no lago onde foram jogados quando morreram numa pequena vila francesa. E depois? Depois nada. Não acontece mais nada, não conseguiram seguir em frente. O diretor Jean Rollin, que assinou com o pseudônimo de J. A. Laser de tanta vergonha, não teve capacidade de criar uma atmosfera de suspense, de filmar uma morte sequer que marcasse, ou que pelo menos causasse algum sentimento no publico de tensão, medo, nada, o filme não consegue nada. Daria uma única estrela pelas filmagens debaixo d’água onde várias garotas nuas nadam peladinhas. Isso tem aos montes durante todo o filme, é o que Rollin gosta mesmo de filmar. Nem sei porque perder tanto tempo escrevendo essa resenha tão longa para um filme tão ruim, o tipo de filme que já inicia ao mesmo tempo que surge uma vontade que acabe logo.

25 de Outubro de 2007

Refilmagem de Os Doze Condenados

Confirmado: o próximo trabalho Guy Ritchie será a refilmagem do grande clássico de Robert Aldrich, Os Doze Condenados.

Até aprovo a escolha do diretor, agora quero ver quem serão os doze substitutos e se estarão a altura dos grandes Lee Marvin, Charles Bronson, John Cassavetes, Telly Savalas, Ernest Borgnine e o resto da trupe...

23 de Outubro de 2007

...

Blade Runner (1982), de Ridley Scott

Baseado em uma obra de Phillip K. Dick, Blade Runner acompanha um caçador de andróides designado a exterminar replicantes na terra. Mas essa jornada acaba desenfreando descobertas inesperadas que interferem essencialmente em sua vida. O filme é um dos mais cultuados do gênero Ficção Científica, mesmo que na época de seu lançamento tenha gerado uma péssima bilheteria, acabou se valorizando com o passar do tempo. Apesar das infinitas questões que o filme levanta, o que mais impressiona é o seu visual futurista e os efeitos especiais bastante avançados para época, além da maravilhosa trilha sonora de Vangelis que acompanham os enquadramentos e a virtuosa direção de Ridley Scott. Harrison Ford tem aqui um excelente trabalho de interpretação vivendo o Blade Runner título, mas quem rouba a cena é o holandês Hutger Hauer que interpreta o repliancante líder de uma revolução, cujo roteiro acaba o transformado em um poeta maldito, como mostra na cena final, segurando o pombo sob a chuva. Uma pena o diretor nunca mais ter conseguido esse nível em seus filmes seguintes.


Election (2005), de Johnnie To


Johnny To é considerado hoje um dos grandes expoentes do cinema oriental de ação e Exilados, seu último trabalho lançado por aqui se configura entre os melhores do ano. Election é um estilizado filme de gângster que volta sua atenção para os bastidores da eleição do novo líder da Tríade que acontece de dois em dois anos (mostrando detalhes reais dos rituais da máfia), a tensão nas negociações e debates para a escolha do melhor candidato, além dos conflitos que os vários pólos da organização acabam enfrentado, e agora estou falando de violência mesmo, visual, visceral, com objetos cortantes, pontiagudos, paus, pedras e o sangue rolando solto, sem precisar dar um tiro sequer de arma de fogo. Quem sai beneficiado são os cinéfilos carniceiros de plantão.

20 de Outubro de 2007

Fuga de Nova York (1981), de John Carpenter

Imagine a ilha de Manhattam cercada de todos os lados e os acessos minados, transformando todo o território em uma imensa prisão onde os criminosos são lançados à sorte sem qualquer tipo de presença policial. Essa é a premissa de Fuga de Nova York, um dos mais cultuados filmes de John Carpenter. Quando o avião do presidente acaba caindo no local, entra em cena um dos personagens mais fodásticos do cinema: Snake Plinskens, interpretado por Kurt Russel, apesar do estúdio querer Tommy Lee Jones no papel. Ele é “convencido” (implantando uma bomba no pescoço) de entrar naquele inferno e resgatar o presidente. A bomba é programada para explodir em 24 horas se não conseguir cumprir a missão. O ambiente futurista de Carpenter é totalmente pessimista, escuro e funciona muito bem, já que não utiliza de grandes efeitos detalhistas para recriá-lo. O elenco é formado por grandes atores do cinema de gênero como Donald Pleasence, Lee Van Cleef, Ernest Borgnine e Adriane Barbeau, mas é Kurt Russel que se destaca com seu personagem anarquista lutando pela sua própria sobrevivência em chances remotas acompanhado pela bela trilha sonora composta pelo próprio Carpenter. A direção virtuosa de carpenter deixa marcas antológicas em vários momentos como na sequencia em que Plinskens sobe num ringue para enfrentar o brutamonte Slag (Ox Baker) ou em várias cenas onde acrescenta alguns elementos dos filmes de horror, em especial, a que surgem os assassinos do subsolo, evocando os filmes de zumbis.
É, Kurt, eu também não gostei da notícia de
que vão refilmar Fuga de NY...

19 de Outubro de 2007

Dia das Bruxas de Zombie...

Halloween (2007), de Rob Zombie

Existem duas óticas sob as quais se pode analisar o novo filme do diretor Rob Zombie, a refilmagem de Halloween, de 1978, do diretor John Carpenter. A primeira seria supondo que se trata de um filme original, isolado de qualquer outra obra cinematográfica. Desta forma teríamos um bom filme de terror. A segunda é fazendo as devidas comparações com o filme original, o que resulta numa frustrante experiência, já que o original é incomparável. Acho mais justo analisar sob a segunda ótica, apesar de achar que Zombie possui talento, dentro de um certo limite, e já provou isso em seus trabalhos anteriores, especialmente Devil’s Rejected. Ou seja, quando tenta ser original até que se sai bem.

Inclusive, na primeira metade de Halloween, o diretor explora a formação psicológica de Michael Myers desde pequeno, mostrando várias situações que o levou a matar a sua família e ser enjaulado num hospício – o que leva uns 50 min de filme – sendo que, não ocorre nada disso no original. Em menos de dez minutos, Carpenter faz a genial abertura na subjetiva do pequeno Myers matando a irmã com uma faca de cozinha. Zombie cria um ambiente familiar bastante perturbador e prende a atenção com suas imagens viscerais, bastante sangue e várias ocasiões interessantes.

Mas Zombie não é Carpenter e quando tenta sê-lo, é um desastre e tudo degringola quando o roteiro exige a história dos acontecimentos do Halloween de 78. O diretor do original levou a duração de um filme inteiro para contar sua história. No filme de Zombie, só sobrou uma meia hora ou um pouco mais para contar o restante da sua. Isso enfatiza o talento de Carpenter em criar um marco cinematográfico do horror e a mediocridade de Zombie em criar atmosferas de um slasher movie, que não é sua praia de forma alguma.

Outras diferenças marcantes são os personagens. O Myers de Carpenter, vivido pelo ator Tony Moran, possui áurea que causa espanto só de enquadrá-lo em tela e era um sujeito de aspecto físico normal. O novo Myers é um brutamonte de dois metros de altura e parece ter saído de um ringue de Luta Livre, e é interpretado por Tyler Mane. Sua presença não deixa de ser impactante também, mas por motivos realistas. Malcom McDowell repete o papel que pertenceu ao grande Donald Pleasence, e infelizmente, o Dr. Loomis de Pleasence foi melhor utilizado no original. As adolescentes estereotipadas do novo filme não possuem carisma algum, diferente de Jamie Lee Curtis com seu famoso grito histérico de horror.

Apesar das mortes interessantes, muito sangue, violência e muito mais peitinhos que o original, nota-se claramente a pressa do diretor no terceiro ato da trama, irritando e frustrando completamente o espectador mais exigente, que fica sem saber como todo aquele início envolvente chegou num ponto tão crítico de inferioridade no final. Pelo menos manteve a famosa trilha sonora tocando durante o filme...

18 de Outubro de 2007

Homenagens

Três grandes atores estariam comemorando seus aniversários hoje...

Peter Boyle

Filmografia selecionada:
  • Os Amigos de Eddie Coyle (73), de Peter Yates
  • O Jovem Frankenstein (1974), de Mel Brooks
  • Crazy Joe (1974), de Carlo Lizzani
  • Taxi Driver (1976), de Martin Scorsese
  • Outland (1981), de Peter Hyams
George C. Scott
Filmografia Selecionada:
  • Dr. Fantástico (1964), de Stanley Kubrick
  • Patton (1970), de Franklin J. Shaffner
  • A Ultima Fuga (1971), de Richard Fleischer
  • Os Novos Centuriões (1972), de Richard Fleischer
  • Punhos de Ódio (1972), de George C. Scott
  • A Troca (1979), de Peter Medak
  • Hardcore (1979), de Paul Schrader
  • A Fórmula (1980), de John G. Avildsen
Klaus Kinski

Filmografia Selecionada
  • Por uns Dólares a Mais (1965), de Sérgio Leone
  • Il Grande Silencio (1968), de Sergio Corbucci
  • Paroximus (1968), de Jess Franco
  • Aguirre - A Cólera dos Deuses (1972), de Werner Herzog
  • La Morte ha Sorriso All'assassino (1978), de Joe D'Amato
  • Nosferatu (1979), de Werner Herzog
  • Fitzcarraldo (1982), Werner Herzog
  • Cobra Verde (1987), de Werner Herzog

16 de Outubro de 2007

Perigo: Ovelhas!

Black Sheep (2006) de Jonathan King

Uma tentativa decepcionante vindo da Nova Zelândia de fazer um horror com animais em revolta. Seria bom demais se tivesse dado certo, um filme de ovelhas assassinas! Infelizmente, não deu. Após 15 anos, um jovem que possui uma fobia por ovelhas, retorna ao rancho de seu falecido pai para tratar de negócios em relação a sua parte da terra com seu irmão mais velho, que trabalha fazendo experiências científicas com as pobres ovelhinhas, gerando um rebanho de ovelhas comedoras de carne humana. O roteiro faz bem em não se levar muito a sério. O problema está mesmo na construção, na falta de perspicácia, nas situações que às vezes beiram ao ridículo e nos diálogos fracos. O elemento crucial da atmosfera de suspense e horror é quase inexistente e quando ocorrem os sangrentos ataques das ovelhas, já não significam muito para o publico. Apesar disso, os efeitos visuais e maquiagem do pessoal da Weta são perfeitos, e não são economizados vísceras, sangue e membros decepados, tudo desperdiçado em um filme tão bobo.

Que medo...

14 de Outubro de 2007

aniversário de Udo Kier...

O ator alemão, Udo Kier, completa hoje 63 anos. Em seu currículo estão presentes obras como Flesh for Frankenstein e Andy Warhol's Dracula, do diretor Paul Morrissey; Suspíria, do Dario Argento; o episódio de Mestres do Horror, Cigarette Burns, de John Carpenter; o clássico cult Hexen bis aufs Blut gequält, aka Mark of the Devil, de Michael Armstrong; Docteur Jekyll et les femmes, de Walerian Borowczyk; vários do dinamarquês Lars Von trier e do alemão Fassbinder. E estará presente no novo filme do mestre Dario Argento, La Terza Madre, um dos filmes mais aguardados, enfim, parabéns ao cara!

11 de Outubro de 2007

Mais uma viagem ao mundo de David Lynch...

Império dos Sonhos (2006), de David Lynch

Em uma conversa entre Laura Dern e o diretor David Lynch, Dern mencionou que seu marido era de Inland Empire, uma região a leste de Los Angeles, então, Lynch parou de ouvir tudo que a atriz estava lhe falando porque adorou o som das palavras “Inland Empire” e decidiu que este seria o nome de seu novo filme, porque, segundo o próprio diretor: “Eu gosto da palavra inland. E eu gosto da palavra empire”. Inland Empire, aka Império dos Sonhos, é um filme ainda mais hermético que Estrada Perdida e Cidades dos Sonhos (seus filmes mais “complicados”, digamos assim...), ou até mesmo Eraserhead, que possui uma estrutura fácil, embora prevaleça o surrealismo imaginário. Inland Empire é uma experiência cinematográfica ímpar e transcendental que transporta ao espectador num estado alucinógeno com as belas e chocantes imagens desenvolvidas por Lynch. Em A Estrada Perdida e Cidade dos Sonhos, o diretor estruturava uma narrativa sem a preocupação de dar sentido ao todo, mas sempre se apoiava num gênero cinematográfico que servia de base para prender a atenção. No caso de Cidade dos Sonhos, a compreensão total é possível após algumas revisões e reflexões, definindo o que é sonho e o que é realidade, e a ordem cronológica que Lynch embaralha nos 20 minutos finais. Em Império dos Sonhos, o diretor se aproveita do formato digital e traça uma narrativa desamarrada de qualquer detalhe que poderia auxiliar o espectador na busca da compreensão. O filme é um delírio, uma jornada de imagens oníricas que, obviamente, tentar compreender estragaria por completo, uma vez que, senti-lo, captar sua essência através de suas imagens, é muito mais prazeroso e necessário.

9 de Outubro de 2007

Western esquecido...

Caçada Sádica (1971), de Don Medford

Uma pérola dos anos setenta. Caçada Sádica é um Western violento e sangrento e foi dirigido pelo esquecido Don Medford, que faz um trabalho muito competente. O filme conta a história de um perigoso bandido que seqüestra a mulher de um outro cara que, no decorrer do filme, percebemos que é tão perigoso quanto o primeiro, ao ponto de torcermos pelo bandido. Hoje em dia não há nada de mais nisso, mas naquela época era novidade no cinema americano fazer bandidos de mocinhos. Influencia do Western Spaghetti, Sam Peckinpah, Monte Hellman e muitos outros. Oliver Reed vive o perigoso bandido Frank Calder. Sua atuação é interessante, pois seu personagem se transforma ao decorrer do filme. Já Gene Hackman, que faz o papel do marido é um personagem mais complexo e o faz muito bem. É um homem violento como demonstra tanto na sua caçada quanto na intimidade com sua esposa ou com quem quer que seja. E Candice Bergen, que faz a esposa seqüestrada, está muito expressiva e belíssima. O final, no deserto, é angustiante e antológico. Gostei muito de ver a programação do tele Cine Cult e encontrar Caçada Sádica passando por lá. Vale a pena das uma conferida pra quem ainda não descobriu esse clássico do Western americano.

4 de Outubro de 2007

Mais um pouco de Cronenberg...

Há poucos dias, comentei sobre o primeiro longa de Cronenberg, o clássico trash Calafrios, onde inicia uma trilogia de filmes B que o diretor canadense realizou antes de se tornar o que é hoje. Resolvi então, já em ritmo de contagem regressiva para seu novo filme, Eastern Promises, que é um dos meus mais aguardados este ano, publicar o restante da trilogia para que meus poucos leitores possam conhecer melhor o inicio da maravilhosa carreira deste genial cineasta.

Rabid: Aqui, Cronenberg dá continuidade a sua trilogia de filmes de baixo orçamento com elementos de horror e ficção científica, assim como fez em Calafrios. A história acontece quando um acidente automobilístico ocorre e Rose vai parar no hospital especializado em cirurgias plásticas onde fazem uma experiência de restauração de tecidos com a moça acidentada. Claro que a experiência traz resultados inesperados que causará transtornos à vida de muita gente. Não vale a pena entrar em detalhes, mas já entrando, um pênis que surge numa axila é algo que é preciso ver para crer. Rabid é o segundo filme da carreira deste gigante do cinema fantástico e já mostra com clareza a firmeza e a criatividade da direção e da forma como conduz os fatos. O filme é estrelado pela porn-star Marylin Chambers, que não é lá grande atriz (só se for enquanto está sendo penetrada, daí eu não sei, ainda não vi nenhum filme dela, enfim...), mas consegue uma ótima atuação dando vida para uma personagem que praticamente não fala o filme inteiro. Nada surpreendente. Surpreendente é a imaginação de Cronenberg em, mais uma vez, utilizar a violência de forma bastante visual. Rabid consegue não apenas ser mais um grande filme entre a ótima filmografia do diretor, é obrigatório pra qualquer fã que se preze.

Os Filhos do Medo: Com este clássico cult, o diretor David Cronenberg fecha sua trilogia de Horror’s B movies. O filme não decepciona (longe disso, aliás), porém é o mais fraco da trilogia. Mas tudo deve ser colocado numa balança e pesado. Enquanto Calafrios e Rabid foram realizados de maneira informal, com a cara de filme trash e a marca escatológica e criativa de Cronenberg presente em todas as cenas, Os Filhos do Medo já se apresenta como um filme mais sério e calculado. Embora isto seja um fato, Os Filhos do Medo consegue ser mais assustador que os filmes anteriores. Claro que assustador não é padrão de qualidade, mas se tratando de Cronenberg, algumas seqüências valem o filme inteiro. E ainda possui o grande Oliver Reed no elenco, um verdadeiro gigante do cinema. Nos dois primeiros filmes, a fórmula que Cronenberg usava era de mostrar situações de maneira mais visual, violenta e explicita, sem se preocupar com o que poderia ser ridicularizado, deixando apenas a criatividade funcionar não gerando momentos assustadores, apenas aquela sensação perturbadora durante todo o filme. Claro que violência é o que não falta em Os filhos do Medo, principalmente no grande final, típico cronenberguiano, onde Samantha Eggar devora um feto recém saido dela mesma! A verdade é que os três filmes formam uma trilogia maravilhosa que misturam todas as características visuais e psicológicas que transformariam Cronenberg no diretor que é hoje.

2 de Outubro de 2007

Tarde Chaplinesca, noite bagaceira...

Violenza in un carcere femminile (1982), de Bruno Mattei

Domingo passado, após duas maravilhosas sessões com O Circo e Luzes da Ribalta, ambos de Charles Chaplim, estava eu extasiado com a profundidade artística daquele grande diretor. O primeiro, uma comédia muda com as geniais gags que nunca saem de moda e o segundo, um melancólico testamento, uma das melhores despedidas do cinema. Mas à noite, resolvi chutar o balde e assistir uma bagaceira de um dos diretores mais subversivos que já ouvi falar: Bruno Mattei. O filme em questão foi o excelente Violência em Cárcere Feminino, um típico Woman in Prison, um subgênero do cinema exploitation, com todos seus elementos muito bem explorados, principalmente a violência gráfica e a nudez gratuita, e conta com a beldade Laura Gemser, musa de outro mestre italiano, Joe D’Amato. Mesmo sob o efeito de Chaplim, é impossível não se impressionar com as imagens grotescas de Violência em Cárcere Feminino, que apresenta ótimos momentos de situações extremas como a cena em que Laura Gemser é trancada na solitária, após dar uma surra em duas seguranças, e é atacada por vários ratos gigantescos. O que não falta ao filme são as constantes situações sórdidas de estupro, violência, escatologia, lesbianismo e todo o tipo de pervesidade que poderia sair da cabeça de Mattei, que assina com um de seus pseudônimos, Vincent Dawn, e que faleceu há alguns meses. Um diretor bem “eclético” que trabalhou desde o pornô hardcore até produções bagaceiras como este WIP, filmes com animais revoltados, como Rats, policiais italianos classe Z, ação, épico, ficção, sempre utilizando de pseudônimos. Enfim, foi uma forma perfeita pra encerrar o fim de semana.

29 de Setembro de 2007

Calafrios (1975), de David Cronenberg

Antes de se tornar um dos diretores mais respeitados, David Cronenberg realizou vários filmes de horror de baixo orçamento, feito com as tripas, com histórias sem qualquer complexidade de seus filmes futuros, mas uma criatividade na direção que mostrava um estilo diferente e único que se destacaria a cada trabalho. Em Calafrios, um verme parasita, que parece um cocôzinho, transmite uma compulsão sexual nos moradores de um luxuoso edifício isolado numa ilha. Os “infectados” passam a agir como zumbis em busca de sexo frenético. Mas é interessante a forma como Cronenberg conduz seu filme com originalidade e competência, principalmente na utilização dos efeitos especiais e maquiagens, já que foi feito quase sem recurso. O filme surpreende com a violência e a escatologia como elementos visuais e explícitos. Calafrios é a primeira parte de uma trilogia de Trash-B-Movies. Os outros filmes são Rabid (77) e Os Filhos do Medo (79).

O cocôzinho do mal...

26 de Setembro de 2007

Hatari! (1962), de Howard Hawks

Hatari! Narra as aventuras de um grupo de caçadores na selva africana trabalhando para capturar animais selvagens para um zoológico americano. Mas o filme vai muito além disso. É uma tardia obra prima do cinema deixada por Howard Hawks que transcende qualquer valor literário para se tornar um brilhante trabalho visual, puramente cinematográfico. E ainda tem John Wayne em uma de suas monstruosas interpretações, o que contribui para o resultado do filme, que é um testamento de um dos grandes mestres do cinema americano.

24 de Setembro de 2007

Veludo Azul (1986), de David Lynch

Veludo azul é uma extraordinária jornada à mente insana do diretor David Lynch, onde todos os fatos vão do surreal ao bizarro, da lucidez à loucura, da inocência à perversão, do amor à luxúria, e muitos outros elementos contraditórios acumulados em imagens perturbadoras. Depois da desastrosa experiência em Duna, Lynch volta ao seu próprio terreno seguindo a história de Jeffrey Beaumont, que retorna à sua pacata cidade natal onde seu pai se encontra hospitalizado. Mas se defronta com o lado negro da cidade ao achar uma orelha humana jogada em um campo. A orelha passa a ser sua entrada para uma temporada no inferno, com direito a um incrível movimento de câmera que se adentra no órgão decepado. A filha do delegado (Laura Dern), uma cantora de bar (que canta a música Blue Velvet, do título original, interpretada por Isabela Rossellini), um gangster perverso (vivido por um Dennis Hopper inspiradíssimo) e um considerável número de personagens bizarros entra na vida de Beaumont, que se vê envolvido num perigoso mistério, enquanto a atmosfera surreal de suspense é criada por uma fotografia dark oitentista carregada de neons e uma trilha sonora que lembra clássicos americanos da Era de Ouro. A direção de Lynch é um deleite, um belíssimo exercício de linguagem cinematográfica repleta de elementos dos filmes Noir’s. E com essa direção, recebeu uma indicação ao Oscar. Veludo Azul é uma pequena amostra da bizarrice psicológica que Lynch desenvolveria em filmes como A Estrada Perdida, Cidade dos Sonhos, e no novo Inland Empire, do qual falarei em breve por aqui e já é um dos seus melhores trabalhos, mesmo que não tenha o mesmo glamour de Veludo Azul, que se tornou um clássico do cinema contemporâneo.

22 de Setembro de 2007

O Estranho Segredo do Bosque dos Sonhos, aka Non si sevizia un paperino (1972), de Lucio Fulci
Depois de assistir alguns filmes de Lucio Fulci, já é possível perceber seu estilo pessoal e peculiar mesmo em diferentes gêneros cinematográficos. Os Quatro Cavaleiros do apocalipse é o western mais bizarro que existe, sem falar em Zombie, New York Ripper e muitos outros, e este Non si sevizia un paperino é um suspense que comprova totalmente porque Fulci é tão respeitado entre o pequeno grupo de cinéfilos que o conhecem. Em um vilarejo italiano, estranhos assassinatos, onde as vítimas são crianças, aterrorizam a pequena população. O que leva um considerável número de policiais e a imprensa para o local. Várias pessoas são suspeitas pelos assassinatos, mas Lucio Fulci consegue criar a dúvida e o suspense até o final antológico com uma atmosfera densa e uma direção inovadora ao estilo dos filmes italianos dos anos 70. O filme conta com a participação da brasileira Florinda Bulcao (ou Bolkan), que fez bastante sucesso na Itália nesse período trabalhando com diretores importantes como Elio Petri, Vittorio de Sica, Luchino Visconti, Damiano Damiani, entre outros. É com ela que Fulci cria uma das cenas mais impressionantes do filme, digna de um verdadeiro mestre do horror italiano.