Há poucos dias, comentei sobre o primeiro longa de Cronenberg, o clássico trash
Calafrios, onde inicia uma trilogia de filmes B que o diretor canadense realizou antes de se tornar o que é hoje. Resolvi então, já em ritmo de contagem regressiva para seu novo filme,
Eastern Promises, que é um dos meus mais aguardados este ano, publicar o restante da trilogia para que meus poucos leitores possam conhecer melhor o inicio da maravilhosa carreira deste genial cineasta.
Rabid: Aqui, Cronenberg dá continuidade a sua trilogia de filmes de baixo orçamento com elementos de horror e ficção científica, assim como fez em
Calafrios. A história acontece quando um acidente automobilístico ocorre e Rose vai parar no hospital especializado em cirurgias plásticas onde fazem uma experiência de restauração de tecidos com a moça acidentada. Claro que a experiência traz resultados inesperados que causará transtornos à vida de muita gente. Não vale a pena entrar em detalhes, mas já entrando, um pênis que surge numa axila é algo que é preciso ver para crer.
Rabid é o segundo filme da carreira deste gigante do cinema fantástico e já mostra com clareza a firmeza e a criatividade da direção e da forma como conduz os fatos. O filme é estrelado pela
porn-star Marylin Chambers, que não é lá grande atriz (só se for enquanto está sendo penetrada, daí eu não sei, ainda não vi nenhum filme dela, enfim...), mas consegue uma ótima atuação dando vida para uma personagem que praticamente não fala o filme inteiro. Nada surpreendente. Surpreendente é a imaginação de Cronenberg em, mais uma vez, utilizar a violência de forma bastante visual.
Rabid consegue não apenas ser mais um grande filme entre a ótima filmografia do diretor, é obrigatório pra qualquer fã que se preze.
Os Filhos do Medo: Com este clássico cult, o diretor David Cronenberg fecha sua trilogia de
Horror’s B movies. O filme não decepciona (longe disso, aliás), porém é o mais fraco da trilogia. Mas tudo deve ser colocado numa balança e pesado. Enquanto
Calafrios e
Rabid foram realizados de maneira informal, com a cara de filme trash e a marca escatológica e criativa de Cronenberg presente em todas as cenas,
Os Filhos do Medo já se apresenta como um filme mais sério e calculado. Embora isto seja um fato,
Os Filhos do Medo consegue ser mais assustador que os filmes anteriores. Claro que assustador não é padrão de qualidade, mas se tratando de Cronenberg, algumas seqüências valem o filme inteiro. E ainda possui o grande Oliver Reed no elenco, um verdadeiro gigante do cinema. Nos dois primeiros filmes, a fórmula que Cronenberg usava era de mostrar situações de maneira mais visual, violenta e explicita, sem se preocupar com o que poderia ser ridicularizado, deixando apenas a criatividade funcionar não gerando momentos assustadores, apenas aquela sensação perturbadora durante todo o filme. Claro que violência é o que não falta em
Os filhos do Medo, principalmente no grande final, típico cronenberguiano, onde Samantha Eggar devora um feto recém saido dela mesma! A verdade é que os três filmes formam uma trilogia maravilhosa que misturam todas as características visuais e psicológicas que transformariam Cronenberg no diretor que é hoje.